Um dos fatores que determinam o sucesso de um imigrante nos Estados Unidos é a capacidade de assimilação da cultura americana.  A assimilação cultural inclui vários elementos, desde a habilidade de falar inglês e usar expressões idiomáticas usadas pelos americanos até a maneira de vestir e de se comportar.

Um relatório publicado pelo Manhattan Institute of Policy Research definiu um índice de assimilação dos imigrantes nos Estados Unidos e calculou esse índice para vários grupos de imigrantes de acordo com seu país de origem.  O índice mede a assimilação em três categorias: econômica, cultural e civil.  Dados do Censo de 1890 a 2006 são usados para medir as diferenças históricas entre os imigrantes e os nativos.

Apesar do estudo não ter destacado os brasileiros como um grupo único, os latino-americanos em geral apresentaram um índice de assimilação bem baixo em comparação com a média.  De acordo com Jacob Vigdor, Professor de Estudos Públicos e Econômicos da Duke University, “Os mexicanos e outros latino-americanos têm uma assimilação mais demorada.”  Esta conclusão parece ser válida também para os brasileiros, apesar de representarmos uma minoria dos imigrantes latino-americanos. 

Esta assimilação mais demorada é consistente com a atitude mostrada pela maioria dos brasileiros – muitos de nossos compatriotas não se consideram imigrantes, como foi relatado nos artigo A Comunidade Brasileira nos Estados Unidos.  Muitos brasileiros têm até vergonha de serem imigrantes, e preferem considerar sua moradia nos Estados Unidos como uma condição passageira.  Isso prejudica a assimilação e é um fator negativo no sucesso dos nossos imigrantes aqui.

Existem cerca de 40 milhões de imigrantes nos Estados Unidos e cerca de metade são latino-americanos.  Cerca de 30% desses imigrantes estão no país ilegalmente.  Os brasileiros representam cerca de 5% dos imigrantes latino-americanos, com os mexicanos representando a maioria.  O número de imigrantes acelerou bastante desde 1990, porém o nível de assimilação surpreendentemente não foi degradado devido a esse aumento da imigração como aconteceu entre 1900 e 1920 quando a população de imigrantes cresceu em cerca de 40%, uma taxa muito menor que a de hoje.

Entre os imigrantes mais bem assimilados estão os canadenses, filipinos, cubanos, coreanos e vietnamitas.  Os menos assimilados são os chineses, indianos e mexicanos.  Os canadenses de encaixam bem com a cultura mas não têm um grande envolvemento na parte civil porque a maioria não procura a cidadania americana.  Os mexicanos, apesar de se aculturarem melhor do que os vietnamitas, não se saem tão bem na questão econômica, o que reduz o índice de assimilação deles.

Aqui vão alguns fatos interessantes de acordo com o relatório sobre a assimilação dos imigrantes nos Estados Unidos:

  • Os imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda quando crianças são quase indistinguíveis dos nativos.
  • Os imigrantes vindos de países desenvolvidos não se assimilam melhor do que os outros imigrantes.
  • Os imigrantes que falam inglês não se saem melhor economicamente do que os imigrantes que não falam inglês.

Este último relato realmente é surpreendente.  Provavelmente isso se dá ao fato de que existem muitos outros fatores que influenciam o sucesso financeiro, sendo a habilidade do imigrante falar inglês somente um desses fatores.  Portanto, é importante para o imigrante brasileiro não interpretar este relato como uma desculpa para não aprender inglês.  O aprendizado do inglês continua sendo fundamental para o sucesso financeiro e a assimilação cultural de nossos imigrantes, e por isso deve ser levado a sério.

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