Fonte: Comunidade News
De um laboratório na Califórnia, Paulo Blikstein descobre novos inventores.
Na Califórnia, um professor brasileiro está a frente de um projeto que vem tentando mudar a forma como os alunos aprendem ciência. Formado pelo prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 2001, Paulo Blikstein comanda um laboratório em Palo Alto Academy onde os alunos colocam todos os projetos teóricos em prática. As gavetas estão cheias de sensores e circuitos, rodas e telas de cristal líquido.
Segundo o Peninsula Press, todas as quintas-feiras, os alunos constroem um experimento no laboratório da Universidade de Stanford, na Califórnia. Paulo acredita que as atividades práticas irão prender mais os alunos do que as aulas normais.
Paulo diz que se simpatiza com os jovens que mostram pouco entusiasmo na escola. O paulista conta que desenvolveu uma paixão pelo aprendizado sem a influência de notas, provas ou livros. Aos 14 anos quando ele entrou para o ensino médio sentiu um choque. “Eu não entendi porque se fazia isso com as pessoas”, disse.
O laboratório de Paulo é dedicado a explorar as alternativas da educação tradicional das salas de aula. É um local para o que é chamado de fabricação digital; os equipamentos permitem aos alunos criarem facilmente coisas que eles desenham nos computadores.
“Você tem que fazer ciência para aprender ciência. Não tem como aprender ciência apenas escutando uma pessoa falar. Não se pode ensinar uma pessoa a nadar se você não tem uma piscina”, compara.
O movimento dos laboratórios de fabricação, ou simplesmente ‘fablab’, iniciou no MIT quando o professor Paulo ainda era um estudante, em 2001. Segundo ele, devem existir 60 fablabs no mundo inteiro, com fins não acadêmicos. Muitos outros estão localizados em faculdades.
A meta do professor é introduzir os fablabs nas escolas primárias e secundárias. Blikstein tem dado palestras a respeito pelo mundo inteiro. Em um vídeo, pode-se ver o brasileiro com um forte sotaque e muito bom humor, falando de histórias de sucesso em fabricação, e testemunhadas por ele.
Como a de uma garota brasileira, que inventou um carrinho de bebê que é um robô, para a própria irmãzinha. A invenção detecta quando um bebê está chorando e coloca-o de volta para dormir. O que mais impressionou Paulo nesta história não é a tecnologia em si, mas como ela pode ajudar a melhorar a vida das pessoas.
A contribuição de Paulo já dá resultados práticos. A escola particular Castilleja em Palo Alto (CA), voltada para meninas de 6 a 12 anos, pretende abrir um fablab em janeiro próximo. Até mesmo no Brasil, Índia e Rússia há escolas interessadas no projeto. Outras escolas tiveram que ficar de fora, pois segundo o professor, o projeto ainda não é grande o suficiente para acomodar todas elas.
Na opinião do mestre, existe um verdadeiro senso de urgência na educação, no sentido de ser mais radical. Apesar de pensar assim, Paulo recorda que a fabricação na educação remonta a décadas atrás.
Por trás de toda a técnica utilizada pelo professor há uma sede de justiça social. Ele se espelha no trabalho de Paulo Freire, autor de “Pedagogia do Oprimido”. “O efeito de uma educação de baixa motivação é muito maior nas crianças de baixa renda”, disse Blikstein.
Para o brasileiro, a sociedade tem na inovação na educação uma grande oportunidade de redesenhar sua própria cultura. “Me pergunto o que aconteceria se ao invés de acordar todos os dias para ir a escola estudar uma fórmula, as crianças acordassem para inventar algo novo. E me pergunto o que aconteceria com o país que fizesse isto primeiro”.
Reproduzido com permissão e em parceria com a Comunidade News.