Fonte:  Comunidade News

Em menos de um mês, três brasileiros se mataram nos EUA.

Parece que um verdadeiro efeito dominó em termos de suicídio tomou conta da comunidade brasileira. Em duas semanas seguidas, quatro casos foram registrados no estado de Massachusetts. Para médicos e psicólogos, é preciso ficar alerta aos sinais de estresse e depressão.

Na primeira semana de março, o matogrossense Gustavo Rezende, de apenas 19 anos, se enforcou. Segundo uma tia, o jovem teria se desesperado por que teria que comparecer à corte acompanhado de um advogado. Uma possível deportação pode ter levado o rapaz a cometer o suicídio.

O segundo caso aconteceu no domingo (7), quando o mineiro Edvar Cunha, resolveu dar um fim à própria vida. Na cidade de Hudson, de acordo com informações da comunidade, uma mulher com mais de 40 anos teria se matado na quinta-feira (11). Com uma mulher de 25 anos, que está no país há apenas uma semana, a tentativa de suicídio foi frustrada. A família não quer retornar ao Brasil, e ela falou em se jogar em um lago gelado em Framingham.

Para tentar esclarecer o porquê de tantos suicídios entre os brasileiros, o Comunidade News entrevistou profissionais da área de saúde. Segundo o psiquiatra João Nunes, que trabalha em Nova Iorque, é difícil especificar porque o brasileiro se mata, mas afirma que uma pessoa em situação de estresse tem maiores possibilidades de entrar em desespero. Ainda de acordo com o profissional, quem já tem propensão à depressão, pode chegar a ser bem-sucedida em se matar.

De acordo com o psiquiatra, a pressão do dia a dia do brasileiro nos Estados Unidos pode desencadear uma depressão e posterior suicídio. O médico disse que fatores como falta de trabalho, de documentos e deixar a família para trás podem desencadear o estresse no brasileiro e uma posterior depressão. Ele recomenda procurar outros brasileiros para interagir. “E quando a situação ficar muito difícil, procurar tratamento”. João recomenda ainda a busca por Deus. “Buscar um apoio religioso e espiritual”

O Dr. Eduardo Siqueira, de Massachusetts, ouviu falar de outros casos, quando comandou o Projeto Parceria. Na opinião dele, o suicídio de Gustavo indica claramente uma pressão da política imigratória americana. O quadro geral de suicídios, para ele, é preocupante. “As pessoas que tem depressão devem pedir ajuda, as que observam que peçam ajuda”, disse ele.

Investigação

Os vários casos de suicídio, ocorridos ao longo dos anos, merecem ser investigados, de acordo com o médico. Segundo o Dr. Siqueira, a questão da sobrevivência, o desespero e a falta de perspectivas podem estar levando ao suicídio. “Associados geralmente à depressão”. O médico alerta para as pessoas buscarem ajuda profissional, acabando assim com o estigma de quem tem depressão é louco. “Isto não é um problema novo na nossa comunidade. Isto tem a ver com a imigração, com certeza”.

Segundo a psicóloga Márcia Guimarães, que trabalha na Carolina do Norte, a saúde mental do imigrante em geral sempre foi muito frágil. Muitos imigrantes, de acordo com ela, disfarçam a depressão através do alcoolismo e das drogas. A situação econômica atual também contribui, segundo a psicóloga. “Aí entra o fator de como lidar com isso, contando ao seu familiar que ele na verdade não tem uma história de sucesso aqui”, disse. Segundo ela, este fator pode potencializar a depressão, aliado à falta de acesso aos recursos médicos, por não terem documentos.

Márcia alerta que a depressão é uma doença que chega muito disfarçada. Ela concorda com o Dr. Siqueira, no sentido do estigma. “É uma doença como outra qualquer”. De acordo com a psicóloga, o isolamento do imigrante em geral é um risco, o qual pode contribuir para que os sintomas de depressão passem despercebidos. “Sinais de violência, de agressão, mudança de humor, tudo isto os familiares devem ficar alertas”. Outro alerta da profissional é a fantasia que algumas pessoas criam em torno das próprias vidas, ou seja, estão passando dificuldades aqui, mas falam para a família que está tudo bem.

Reproduzido com permissão e em parceria com a Comunidade News.  Leia outros artigos da Comunidade News.

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