A decisão do Comitê Olímpico de levar as Olimpíadas de 2016 para o Rio de Janeiro nos deixou orgulhosos e emocionados.  Pela primeira vez na história das Olimpíadas, os jogos serão realizados na América Latina.  E quem poderia  imaginar um palco mais belo do que a Cidade Maravilhosa para hospedar o maior evento esportivo do mundo?

Para nós brasileiros nos Estados Unidos, principalmente cariocas que vivem ou trabalham em Chicago, a concorrência com a cidade americana teve uma emoção especial, já que estamos falando da nossa cidade natal concorrendo com a cidade adotiva.   É claro que no nosso coração torcíamos pela vitória carioca.  Mas tivemos que conter o nosso entusiasmo ao redor dos nativos.  Afinal de contas somos uma pequeníssima minoria, e dependemos de boas relações com os nossos colegas de Chicago.   Por isso, quem adotou uma postura de humildade perante o povo americano conseguiu lidar melhor com o constrangimento de estar no meio deles no momento em que Chicago foi eliminada e a Cidade Maravilhosa foi anunciada como vencedora.    

Por falar nisso, a notícia da vitória carioca se espalhou com uma velocidade espantadora.  No mundo ligado por text messaging, twitter, emails e blogs, informações são transmitidas instantaneamente.  Foi só uma questão de segundos até chegar os primeiros comprimentos de colegas em Chicago.

Mas apesar de todo o glamour e emoção que sediar um evento tão importante apresenta, existe um aspecto mais sério que precisa ser abordado com cuidado.  Pode parecer estranho para os cariocas que comemoraram a vitória de uma maneira bem brasileira na praia de Copacabana, com muita festa e alegria, mas na verdade muitos residentes de Chicago não queriam que Chicago fosse a cidade vencedora.

Muitos argumentam que os custos de hospedar uma Olimpíada são mais altos do que os benefícios econômicos gerados, e no final são os contribuintes que acabam pagando a diferença.  Outros apontaram os problemas com o tráfego e toda a confusão e problemas de infra-estrutura que tal evento traria para uma cidade que já tem dificuldades em lidar com os problemas do seu dia-a-dia, mesmo sem Olimpíadas.

E o Rio de Janeiro, como irá lidar com esses desafios?  De onde irá sair as verbas para montar toda a infra-estrutura necessária?  E como iremos controlar a corrupção que inevitavelmente será parte das negociações com as grandes empreiteiras, fazendo com que os custos que já são altíssimos se tornem ainda mais assustadores?

Para nós cariocas que entendemos bem a realidade desta cidade, que apesar de toda sua beleza, apresenta desafios que muitas vezes parecem não ter solução, uma preocupação ainda maior nos atormenta.  Que imagem iremos passar para o mundo?  O Rio de Janeiro estará sob o microscópio de câmeras aonde membros da imprensa internacional irão mostra cada detalhe da realidade de uma vida caótica.  Para quem já está acostumado, um arrastão na linha vermelha é apenas mais uma notícia de criminalidade e violência no meio de tantas outras.  Mas como que o resto do mundo irá reagir perante tais acontecimentos, principalmente se houver casualidades com participantes e espectadores das Olimpíadas?

Esperamos sinceramente que as autoridades brasileiras tomem as devidas providências para que possamos mostrar ao mundo tudo de bom que o Brasil e o Rio de Janeiro têm para oferecer, mas sem a violência vivenciada no dia-a-dia do carioca.  Será possível?  Estamos torcendo para que as Olimpíadas tragam melhorias na infra-estrutura e segurança da cidade do Rio de Janeiro, e não imagens que venham a manchar toda a beleza e o esplendor da Cidade Maravilhosa.

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