Roberto Maxwell, 40, é repórter e documentarista. Atualmente, é apresentador da Rádio Japão da NHK World e freelancer nas áreas de produção e criação de conteúdo para mídias impressas, rádio, TV e internet.   No post Por que saí do Brasil – e por que não vou voltar ele relata sua frustração com o Brasil e o motivo de sua decisão de sair do Brasil e não voltar mais.

Sua história é muito parecida com a de muitos brasileiros que decidiram imigrar para os Estados Unidos e porque muitos não pensam em voltar.

Veja aqui uma sinopse de seu relato:

“Minha saída do Brasil não foi algo extremamente pensado e planejado, como ocorre com boa parte dos brasileiros que deixam o país.

Em 2005, aos 30 anos, eu morava no Rio, cidade em que nasci, e era professor em uma das mais conhecidas escolas públicas do país. Era um emprego considerado bom. Eu dava aula majoritariamente para crianças de classe média alta, tinha uma renda que, se não era exatamente compatível com as minhas responsabilidades, estava bem acima da média do que se ganha no país, em especial nessa profissão.

Mas não sobrava nada. Pagava as contas, vivia duro, insatisfeito e bastante infeliz. Concordo que felicidade é algo muito subjetivo. Por isso, vamos logo escancarar os fatos: eu estava deprimido, vivendo e trabalhando à base de medicamentos. Tudo isso morando na Cidade Maravilhosa: praia, sol, mar e fluoxetina!

De que adianta um lugar ter sol-e-mar-e-gente bonita se o cara do seu lado ocupa um espaço (tanto físico quanto social) muito maior do que precisa, não dá a mínima para você ou para os outros à volta, emporcalha tudo, fala os berros, quer sempre levar vantagem em tudo, te passa a perna…

Olhava ao redor e enxergava tudo com estranheza. Ruas imundas e gente jogando ainda mais lixo no chão. Não era raro estar no transporte público e ver um sujeito atirando latinhas pela janela. Passava noites sem dormir porque o vizinho fazia aniversário e a festa vazava para o prédio todo. “Relaxa, merrmão, é só uma vez por ano”, justificava o merrmão. Mas, vem cá, conta comigo: uma vez por ano vezes 100 apartamentos é igual a… Enfim, todo mundo era bonito, todo mundo era bacana, todo mundo era dourado – e ninguém por ali tinha qualquer senso de comunidade ou respeito pelo outro. Todo mundo tinha todos os direitos — e nenhum dever.

De que adianta ter os amigos e a família por perto, e viver próximo das suas raízes, falando a sua língua materna, se todo dia você sai de casa sem saber se vai voltar – se as ruas da sua “cidade civilizada em um país democrático” respira um clima de guerra civil, expresso em um número de mortes semelhante ao de regiões deflagradas na África ou do Oriente Médio?

Era assim que eu via: um estrangeiro em meu próprio país…

Veja o post completo aqui: http://projetodraft.com/por-que-sai-do-brasil-e-por-que-nao-vou-voltar/

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3 Comentários em "O Relato de Um Expatriado Frustrado com o Brasil"

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Roncalli
Visitante

Mesma situação, mas sem a fluoxetina.

Leonardo
Visitante

Olá,

Tenho uma dúvida em relação ao visto de trabalho e eu ficaria muito feliz caso vocês respondessem.

Minha dúvida é a seguinte, o imigrante ilegal que estiver nos EUA e trabalhando ilegalmente pode conseguir um visto de trabalho por meio de seu patrão? Ou existe algum impedimento, como no caso do visto de parentesco onde é necessário que o imigrante esteja no seu país de origem para continuar com o processo? Pesquisei muito sobre essa questão e não encontrei em lugar algum.

Muito obrigado pela atenção.

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