Fonte: Comunidade News
Defensores dos imigrantes mostram que o Comunidades Seguras não prende somente criminosos
Os sucessivos casos de deportações por violação de trânsito, ocorridos em Massachusetts, mostram que o programa Comunidade Seguras não está prendendo somente imigrantes que cometem crimes. Mais de um brasileiro passou pela mesma situação.
Segundo matéria do The Boston Globe, o caso mais recente é o da brasileira Lizandra de Moura, 18. No mês de maio, ela dirigia em Boston quando foi parada pela polícia. O motivo teria sido não obedecer o sinal de Pare e a velocidade de 40 km/ hora. Presa por violações de trânsito, ela foi posteriormente encaminhada para a prisão de imigração em Burlington.
Recentemente, a brasileira retirou a tornozeleira eletrônica, e está apavorada com a idéia de ser deportada. “Vivi minha vida inteira aqui”, desabafou. O outro caso é de Lindomar da Silva, 36. Há 10 anos nos Estados Unidos, o mineiro de Conselheiro Pena foi preso em abril último porque não deu sinal para entrar no Burger King.
Solto depois de pagar fiança de $5,000, ele também aguarda a deportação. “Há mais casos acontecendo aqui [como o meu]. Mais pessoas na cadeia, como eu, mas não tinham dinheiro para sair”, disse. No mesmo mês, Leonardo Machado foi parado porque a luz de freio estava quebrada. Assim como Lizandra, ele também foi levado para a prisão de imigração em Burlington.
Traumatizado pelas correntes da prisão, Leonardo acabou assinando a deportação voluntária. “Acho que é melhor eu voltar para o Brasil. Não quero mais ficar aqui”, disse.
Os casos, ocorridos nas últimas semanas, ilustram a controvérsia do Comunidades Seguras, programa federal de Boston onde a polícia tira as impressões digitais, a fim de encontrar imigrantes indocumentados. O caso vai de encontro a afirmação de Edward F. Davis, Comissário de Polícia da cidade. Segundo ele, o Comunidades Seguras é somente voltado para crimes graves.
Decepção e pedido de providências Depois de saber dos casos envolvendo os brasileiros, Davis se declarou decepcionado, e disse que pediria à imigração para rever os casos não criminais. “Não quero que as pessoas sintam que tenham que ter medo da polícia, não importando seu status”, disse ele.
Segundo Chuck Jackson, porta-voz da imigração, foram recentemente anunciadas mudanças no Comunidades Seguras, a fim de dar mais foco em criminosos
graves. Esta é realmente a prioridade do programa, que deverá ser implementado em nível nacional até 2013. Mas segundo as autoridades, qualquer pessoa que for presa e que não tiver documentos legais poderá ser deportada.
Jessica Vaughan, diretora de estudos políticos do Centro para Estudos de Imigração, acredita que casos como o de Lizandra sejam exceção. Segundo ela, o Comunidades Seguras teria evitado casos como o estupro de uma mulher em Rhode Island, cometido em 2008 por um imigrante indocumentado da Guatemala. Ou ainda, o assassinato de mãe e filho em Brockton (MA), do qual um equatoriano é acusado.
Mas os defensores dos imigrantes alegam que o programa deixa os imigrantes indocumentados com medo de denunciarem crimes. “Terminem o programa. Não funciona. Tínhamos a idéia de que Boston era amigável para com os imigrantes… Este programa diz o contrário.
Nos sentimos realmente traídos”, disse a diretora executiva do Grupo Mulher Brasileira (GMB), Heloisa Galvão.
Reproduzido com permissão e em parceria com a Comunidade News.