De acordo com uma pesquisa da Open Doors, divulgada em novembro de 2012, o Brasil ocupa o 14° lugar entre os países com maior número de alunos estudando em universidades nos Estados Unidos (EUA). O relatório anual – do Instituto de Educação Internacional (IEI) em parceria com o Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos Estados Unidos – aponta que o número de estudantes estrangeiros em faculdades e universidades norte-americanas aumentou 6% no período de 2011 e 2012.

Na esteira do mundo globalizado, os países apostam no intercâmbio para especializar a mão-de-obra, favorecendo o estreitamento das relações entre Brasil e Estados Unidos. Um desses programas de estudo bem sucedidos traz, há mais de dez anos, estudantes de medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a Harvard, em Cambridge, uma das universidades mais importantes do mundo.

O médico especialista em poluição atmosférica e professor da USP, Paulo Saldiva, iniciou o projeto “quase que por acaso” quando veio para trabalhar como professor assistente na Escola de Saúde Pública da Harvard em 2001. “Alguns alunos me procuraram com o interesse de ir para a Harvard. Através dos meus contatos, conseguimos o intercâmbio para três estudantes da USP. A partir daí, o projeto cresceu,” recorda Saldiva.

E o interesse se espalhou tanto que o professor precisou partir para a segunda fase: buscar patrocínio para as despesas dos estudantes e quebrar a burocracia das universidades. “A Harvard estipulou uma taxa simbólica e fomos buscar investidores porque muitos alunos não tinham condições de se mater em Boston”, conta. Hoje, o programa é financiado pela Fundação Lemann e a partir desse ano conta com a participação do programa federal Ciências sem Fronteiras (CsF).

“Aliás, os frutos da relação Harvard e USP cotribuíram para a implementação CsF em Massachusetts”, diz Saldiva. “Fomos convidados pelo Consulado Brasileiro de Boston a participar de uma reunião com diretores de faculdades no estado que estavam resistindo em aceitar alunos brasileiros. Nossos resultados palpáveis mostraram que a parceria e dá certo.”

O professor destaca, inclusive, que a instituição americana ganha muito com essa troca. “A Harvard recebe um grupo de pesquisadores altamente qualificados e fortalece vínculos com grupos muito produtivos”, destaca.  Os alunos da USP, por exemplo, são fundamentais em estudos que medem as consequências das emissões poluentes no túnel Big Dig, no centro de Boston, e na relação da destruição da camada de ozônio com o desenvolvimento da asma, doença em constante crescimento nos EUA.

Em maio, a presidente da Harvard, Drew Gilpin Faust, reconheceu oficialmente a importância desse tipo de programa em visita ao escritório da universidade em São Paulo. Um mês antes, a presidente Dilma Rousseff já havia afirmado em discurso em Cambridge que o “Brasil precisa de Harvard”, mas que também “é bom para Harvard se aproximar do Brasil”.

Caminho inverso

O professor Saldiva reconhece que a burocracia brasileira tornou o caminho inverso mais difícil, mas não inviável. Há dois anos estudantes da Harvard viajam para São Paulo. Em 2012, Amaka Cypriana Uzoh, que ser formou na Escola de Saúde Pública da Harvard, participou de pesquisas no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e afirma que aprendeu muito. “Embora os nossos profissionais recebam mais treinamento e tenham mais estrutura para trabalhar, a saúde preventiva do Brasil tem muito a nos ensinar. O projeto em que os agentes de saúde visitam as pessoas em casa é incrível”, opinou Amaka que ainda está escolhendo a universidade em que vai cursar medicina.

Experiência

Até agora, cerca de 70 alunos passaram por esse programa. “E todos voltaram e ficaram  no Brasil. São pessoas que teriam toda a capacidade para aceitar desafios no exterior, mas o Brasil ofereceu oportunidades e o coração verde e amarelo falou mais alto “, avalia Saldiva. O intercâmbio começou na área de Saúde Pública, mas já conquistou a Escola de Medicina da Harvard. Em 2011, o Children’s Hospital também recebeu estudantes brasileiros.

Em janeiro, 13 alunos desembarcaram no aeroporto Logan para fazer pesquisas nas Escolas de Saúde Pública e Medicina da Harvard e no Spaulding Rehabilitation Hospital. A paulistana Andressa Lousada, de 22 anos, é um deles e diz que já está habituada ao frio e encantada com a cidade. “No Brasil, eu jamais teria a oportunidade de dedicar um ano exclusivo para a a pesquisa durante o meu curso”, explica a aluna do terceiro ano de medicina da USP. A futura médica ainda não decidiu em que área vai atuar, mas garante que vai usar o conhecimento que adquirir na Harvard para democratizar a saúde no Brasil. “A pesquisa pode contribuir para o avanço de todos os segmentos da medicina”, considera.

A opinião de Andressa é a mesma de Lucas Nóbrega, intercambista de 2011. Nóbrega – um dos administradores do site www.uspharvard.com que traz informações sobre o programa e sobre a rotina de um estrangeiro na Harvard  – enfatiza que “o intercâmbio deve ser encarado como uma oportunidade de pesquisa que vai fortalecer a ciência do Brasil.” O estudante do quarto ano de medicina da USP diz ainda que o Brasil está aprendendo a investir na formação acadêmica e que os estudantes devem aproveitar as oportunidades.  Da temporada em Boston, Nóbrega, que pretende atuar no setor de Gestão Hospitalar, levou o projeto Carteirinha.org, uma iniciativa para facilitar o
acesso do paciente aos seus dados clínicos.

Fonte: Beto Moraes

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1 Comentário em "Estudantes de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Fazem Intercambio na Harvard"

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Nicolas Salvo
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Primeiro desculpo-me por escrever em ingles e não em portugues já que ainda não o falo como quisesse. Hi. Iam from Argentina (39 y.o) and the reason why Iam writting in English is because I don´t like to speak a mix-lenguage by my own and pretend you understand me. My portuguese is improving by the way. This is a serious bussinnes proposal for any Brazilian People who: a) Are involved in the University of Medicina (Sao Paulo), doesen´t care if finished or not (even could be from 2-3 years advanced); b) Is not thinking in make the career the only… Read more »
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