Estudar nos EUA não é uma coisa barata. Muitas pessoas procuram uma maneira de estudar na América sem pagar nada, ou seja, por meio de uma bolsa integral de estudos. Esse também é o desejo da grande maioria dos americanos, embora uma pequena parcela deles consiga. Diferentemente do Brasil, nas Universidades públicas americanas também se paga. Bolsas integrais existem e são reservadas para alunos excepcionais ou esportistas.

A opção de pedido de ajuda financeira para alunos internacionais existe em todas as faculdades e Universidades americanas. Encontra-se tal informação na própria página da instituição de ensino. Precisa-se ler o documento com cuidado e ver se a pessoa preenche os requisitos para tal requisição. Vale lembrar que o processo é lento, difícil de conseguir. Eu mesmo tentei para as três faculdades que pretendia ingressar e em nenhuma delas fui aceito para o programa de bolsa de estudos integral. Nem mesmo bolsa parcial recebi, portanto o “plano B” era pagar eu mesmo pelo curso.

Estudantes internacionais sob o visto F-1 não são autorizados a trabalhar fora do campus no primeiro ano de estudos. Embora representantes da instituição de ensino digam que facilmente encontra-se um trabalho dentro do campus quando se chega aqui a história é bem diferente. Mais de 90% dos alunos também estão atrás dessas vagas e a concorrência é grande. Além do mais, a preferência sempre é dos cidadãos americanos, depois, vagas remanescentes podem ser oferecidas aos estudantes internacionais. Como essas posições de trabalho são poucas, não sobram vagas remanescentes. Portanto, é melhor se planejar para a pior situação, ou seja, ter que pagar do bolso todas as despesas para o primeiro ano de estudos. E depois do primeiro ano, como fica a situação?

Fiquei surpreso quando o funcionário do escritório do Seguro Social me disse que eu não poderia trabalhar de maneira alguma. Lembrei-me de ter lido em algum lugar a possibilidade de trabalho após o primeiro ano. Voltando lá com a informação impressa do site da Imigração Americana em mãos a funcionária me disse que havia uma remota possibilidade e me explicou o processo. Primeiro eu teria que procurar um trabalho somente na área que estou estudando, a saber, arquitetura e design. Encontrando a vaga precisaria que a empresa redigisse uma carta onde confirme o desejo de me contratar como trainee. Com esta carta em mãos, o próximo passo seria conseguir uma carta da faculdade autorizando-me a trabalhar na empresa em questão. Com estas duas cartas em mãos o escritório do seguro social poderia emitir um número de seguro social (SSN) e eu poderia trabalhar legalmente.

Mesmo assim o trabalho não pode superar 20 horas semanais, pois entende-se que o resto do tempo do estudante estará comprometido com os estudos. Com uma média de 8 dólares a hora, o salário mensal não chegará a 800 dólares. Por esse motivo quem pretende estudar nos EUA deve saber que precisará desembolsar a maior parte das despesas. Mesmo trabalhando ilegalmente a semana inteira e finais de semana (como alguns fazem), o salário que se consegue não é suficiente para pagar as mensalidades e todas as despesas de moradia, alimentação, seguro saúde, transporte, etc. Você vai precisar usar economias ou receber ajuda da família.

Para o “intership” (estágio) não é necessário o SSN. Algumas empresas pagam outras não. Mesmo pagando, o período máximo de estagio é de 9 meses e não recomenda-se o estágio antes da metade do curso.

Então, como posso fazer esse planejamento e saber quanto precisarei para estudar nos EUA? Essa é a pergunta de 8 entre 10 pessoas que conversam comigo online ou escrevem para o meu blog. Eu diria que o mais fácil é ver no próprio site da escola qual a quantia que se precisa comprovar (por meio de extratos bancários de poupança e assinatura de gerentes do banco) para o primeiro ano de estudos. Esse valor também terá que ser comprovado na Embaixada Americana no Brasil quando do pedido do visto de estudante. Um detalhe, eu consegui juntar aos extratos o meu extrato de fundo de garantia por tempo de serviço, o FGTS que pretendia sacar antes de sair do Brasil.

Na International Academy of Design em Technology, onde estudo, o valor era de 25 mil dólares que incluem todas as despesas com mensalidades, material escolar, livros, moradia, alimentação, transporte e seguro saúde. Multiplicando-se pelo valor atual do dólar, aproximadamente R$ 1,70 chega-se ao valor de R$ 42.500,00. Isso não significa que você vá gastar os 25 mil dólares no ano. Pode ser que você arrume uma hospedagem mais barata e outras coisas mais em conta. No entanto, esse é o valor que  precisa-se comprovar. Se você tem onde ficar, por exemplo, casa de parentes ou amigos, a própria faculdade tem um formulário que diz que estas pessoas oferecem hospedagem e alimentação sem custo. A pessoa que oferece a hospedagem precisa assinar os papeis e te devolver. Esse documento fará parte do pacote de documentos que você enviará à faculdade. Uma cópia deve ser guardada para apresentação na embaixada também. Dos 25 mil dólares pode-se deduzir por volta de 5 mil dólares. O valor exato que a faculdade considera que será gasto com moradia e alimentação está explícito nos valores que compões os 25 mil dólares. Então é só subtrair.

Um valor médio para as mensalidades nas escolas americanas gira em torno de 1400 dólares. Existem escolas mais caras e mais baratas. Uma faculdade que cobre menos que 800 dólares mensais geralmente não é considerada uma boa escola.

Para os anos seguintes coloque o valor das mensalidades e material para o ano e mais o valor que acha que gastará com moradia, alimentação, transporte, seguro saúde, etc. Desse valor, subtraia o que pretende receber trabalhando. Um valor realístico seria 800-1000 dólares, lembrando que considerar a pior situação é sempre melhor porque estar preparado para o pior é o que conta. O valor negativo de cada mês é o que você precisará cobrir pagando do próprio bolso usando economias ou ajuda da família.

Um exemplo desse cálculo mensal pode ser:

Mensalidade                              1100.00

Material + Livros                         200.00

Moradia + alimentação             600.00 (dividindo apto com outros estudantes)

Transporte                                    150.00

Seguro Saúde                                  80.00 (o seguro saúde para estudantes é mais barato)

Sub Total 1                                 2,430.00

Trabalho                                    – 1.000,00

Sub Total 2                                1,430.00 dólares

1430 dólares multiplicados por 12 meses = 17,160.00

Esse valor multiplicado pelo valor do dólar (1,70) = 29.172,00 reais

Este é o valor anual que você precisará usar das economias ou com ajuda de familiares. Dividindo-se esse valor por 12 meses, chega-se ao valor de R$ 2.431,00. Se sua família te ajudar com uma parte, por exemplo, o valor que pagaria em uma faculdade no Brasil, R$ 1.000,00 você chega ao valor de R$ 1.431,00 reais mensais.

Multiplique esse valor pela quantidade de meses totais do curso (5 anos= 60 meses).

1.431,00 x 60 = 85.860,00

Portanto, neste caso, o valor total que você precisaria para fazer a faculdade nos EUA por 5 anos é de R$ 85.860,00. Lembrando que esse não é o valor total do curso. É o valor do curso subtraído do valor que você receberá trabalhando mais a ajuda da família.

Esse cálculo é bem parecido com a minha realidade. Com esse valor em mãos eu economizei por anos e trabalhei muitas horas extras. Tudo era questão de alcançar um objetivo. Olhando-se para esses valores parece quase impossível conseguir estudar nos EUA se você não pertence à classe média alta brasileira. Lembre-se que este é o pior caso. Existem inúmeras outras formas de baratear o custo dessa empreitada e isso você só vai descobrir depois que estiver vivendo e estudando nos EUA, conversando com outros brasileiros que também enfrentaram dificuldades.

O investimento é alto assim como é alto também estudar em uma boa faculdade no Brasil. Porém as chances de se conseguir um emprego nos EUA aumentam muito quando se tem um diploma americano. E com o custo de vida e impostos bem mais baixos que no Brasil, esse investimento pode voltar em poucos anos. Sem mencionar que não se pode calcular o valor da experiência de estudar fora do Brasil.