O sonho de fazer MBA (Master in Business Administration) no exterior tem deixado de ser algo inalcançável e tornado-se realidade para muitos brasileiros. E o mercado está em plena expansão para quem está disposto a lutar por esse sonho.

O campineiro Marco Cauduro, 31, formado em Engenharia de Computação pela Unicamp (SP), já contava em seu currículo com um mestrado técnico na Itália e uma carreira em negócios no Brasil e no Chile. Porém, o que para muitos já seriam grandes conquistas, para ele ainda não era o suficiente.

“Percebi que me faltavam backgrounds financeiros e econômicos, então decidi desenvolvê-los no país mais conhecido no mundo pelo desenvolvimento de negócios”, conta. O brasileiro optou por morar em Hanover, em New Hampshire, para fazer MBA com foco em general management, na Tuck Business School at Dartmouth College.

Esforço e dedicação

O paulistano Tiago Vidal Godoi, 30, desde cedo foi um jovem determinado e disposto a lutar pelo sucesso profissional. Aos 16 anos, desenvolvia sistemas de computador para médias e grandes empresas em São Paulo. Aos 20, entrou para a faculdade de administração da USP.

No terceiro ano, iniciou estágio na área de tesouraria internacional do Banco Real (hoje Santander). Porém, sentia uma grande defasagem em relação aos seus colegas, por não conseguir acompanhar treinamentos e reuniões em inglês, apesar do curso intensivo de inglês nos fins de semana.

Ciente de que uma experiência profissional no exterior seria fundamental para a sua carreira e sabendo que o banco não poderia oferecer essa oportunidade, Godoi resolveu radicalizar e arriscar. Saiu do banco e foi a caça de um trabalho relevante em qualquer país no qual a língua nativa fosse o inglês, tendo preferência pelos Estados Unidos, onde as maiores empresas estão sediadas.

“Fiz uma lista de algumas empresas grandes e comecei a mandar currículos. Alguns amigos achavam que era loucura o que eu estava fazendo”. Contudo, Godoi não obteve resposta.

Foi quando decidiu partir para um ‘plano B’: utilizar sites de emprego americanos e alguns jornais locais para procurar empresas menores, que tinham um método de contratação mais flexível. “Depois de algumas semanas, comecei a receber respostas. Fiz três entrevistas por telefone e finalmente recebi uma oferta para ser trainee na área financeira de uma empresa de telecomunicações no sul da Flórida”.

Era só o início. Sem conhecer ninguém, foi roommate de um haitiano. Um ano depois, dominando o idioma, Godoi era promovido a gerente da área financeira.

Ao conhecer a mulher que hoje é sua esposa, Christina Bianchi, o brasileiro adiou a volta para casa. Com isso, surgiram os planos de fazer um MBA. Audacioso, ele queria cursar um dos dez melhores MBAs do mundo.

“Foram mais de oito meses de preparação, longas noites estudando para o GMAT (prova de inglês e matemática), TOEFL (prova de inglês para estrangeiros) e escrevendo redações sobre minha evolução profissional e acadêmica para as universidades”, relembra.

No meio desse processo árduo, Tiago e Christina descobriam que ela estava grávida. “Essa notícia me deixou preocupado, pois o MBA é um investimento caro e de longo prazo. Os melhores programas de MBA dos EUA são de período integral, duram dois anos e custam em média $50 mil dólares por ano”, conta. Mas a chegada de Lucas foi o que “deu ainda mais garra para correr atrás dos sonhos”.

Rumo a Michigan

Ao conquistar uma vaga para cursar MBA na University of Michigan, a família Godoi colocou tudo o que tinha dentro de uma van e viajou por três dias até chegar a cidade de Ann Arbor. Sem conhecer ninguém, após deixar o clima quente da Flórida, o primeiro obstáculo foi enfrentar o frio de 25ºC negativos, seguido de ter que sustentar uma família com o orçamento de um estudante.

Enquanto se preparava para disputar um concorrido estágio, na véspera da última entrevista com a maior empresa de consultoria estratégica do mundo, Godoi descobriu que a esposa estava grávida do segundo filho, Nicolas.

“Como se não bastasse a tensão do processo de recrutamento, eu ainda teria mais uma ‘boca’ para alimentar, um ‘budget’ limitado, uma dívida gigantesca e desempregado. Foram as 24 horas mais tensas que eu já vivi”, ressalta.

Mas, mais uma vez, o filho que estava por vir foi o incentivo que faltava, garante ele.

“Eu me sai bem na entrevista e recebi uma oferta de estágio, onde depois fui efetivado. Daquele dia em diante, o MBA se tornou a melhor experiência da minha vida”, garante.

O jovem se formou no final de abril e agora prepara-se para colher os frutos do seu esforço. Junto com a família, está de mudança para São Paulo, onde trabalhará numa empresa de consultoria estratégica. “Eu escolhi morar no Brasil após a graduação, porque o país está numa fase de crescimento acelerado para quem está preparado para as oportunidades”.

 

Fonte: Gazeta News

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3 Comentários em "Brasileiros Apostam no Sonho e Trilham Carreiras de Sucesso nas Universidades Americanas"

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Cristiano
Visitante

Ola, tudo bem?
Sou brasil e curso faculdade de Business Administration no Sul da Florida.
Tenho como meta estagiar em uma empresa de grande porte para ganhar experiencia profissional para dai entao abrir uma empresa.
Li que o Godoi “fiz uma lista de algumas empresas grandes e comecei a mandar currículos.” E é exatamente ai minha duvida… Eu nao sei por onde procurar empresas de grande porte que seja uma ponte entre o estudo e o mercado de trabalho. Ou seja, nao sei como me inserir no mercado de trablho/estagio.
Ainda faltam 2 anos para eu me formar.

Pamela
Visitante

Estou morando na Europa e gostaria de saber se eu posso estar indo daqui direto para o EUA estudar e trabalhar. Alguem pderia me dar alguma informacao??
Obrigada 🙂

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