Everaldo Coelho trabalhava como designer de software da multinacional.

Trabalhar na Apple, nos Estados Unidos, diretamente envolvido em projetos relevantes como a concepção do iPhone 5, lançado na quarta-feira (12), e com todos os benefícios e visibilidade que o cargo oferece parece ser o sonho de carreira para qualquer designer. Para os que chegam lá, o sucesso representa, talvez, o ápice e última parada de uma trajetória profissional. Não para o curitibano Everaldo Coelho, de 34 anos, que deixou a multinacional no fim de julho e retornou ao mercado brasileiro.

Em Cupertino, na Califórnia, Everaldo conta que o sigilo rigoroso imposto pela Apple o impede de mencionar com precisão, mas garante que participou do projeto do smartphone mais desejado do mercado. “Eu era focado no design de software, mas participei sim de tudo que foi lançado”, resumiu.

Ele conta que foram dois anos de muito aprendizado e que o trabalho desenvolvido por ele deve ainda ser aproveitado, mas que sentiu que era o “momento de sair”. “A Apple é o sonho de qualquer designer, o ponto mais alto que se pode chegar, mas, para mim, era só um emprego. Eu não tenho uma relação tão preciosista assim com o trabalho”, relativiza.
Apesar da convicção, o designer sabe que a decisão tomada pode gerar estranheza, e recorda do momento em que pediu demissão para a chefe. “Ela falou: ‘Oh! God!’, como quem pergunta: ‘Meu Deus, como assim?’ Até porque não é muito comum, é o sonho de todos, então é difícil que alguém que esteja lá saia, a não ser para abrir o próprio negócio”, lembra. Nem mesmo a oferta de um salário e melhores condições foi suficiente para mudar a decisão de voltar ao Brasil.

A decisão de sair não foi o primeiro “não” à Apple na vida do designer. Antes de aceitar a proposta da empresa em 2010, ele já havia rejeitado propostas dos americanos por pelo menos quatro anos consecutivos. O motivo nada tinha a ver com a empresa, da qual ele garante que leva boas experiências. “Eu não falava inglês, nunca me interessei, e estava sempre envolvido na minha empresa”, justificou.

Nesta época, Coelho era proprietário da Yellow Icon, empresa que desenvolveu projetos de design para clientes importantes como o Norton Antivírus e o navegador Firefox. O nome de batismo do empreendimento remete ao início do trabalho de Everaldo como designer, que não passou pela graduação universitária. “Não sou formado em design. Eu comecei como ilustrador de livros infantis em 1998, quando tive meu primeiro contato com computador. A pasta amarela do Windows me incomodava bastante e eu comecei a customizar os ícones do computador”.

Daí em diante, Everaldo passou a conhecer outros sistemas operacionais além do mundo do Windows, e a pavimentar uma trajetória de carreira. “Eu virei então designer do departamento de marketing de uma empresa chamada Conectiva. Ali eu personalizei meu Linux e gostaram muito, o trabalho foi para a internet e passei a receber vários contatos internacionais”, lembra.

A Yellow Icon nasceu justamente destes contatos e Everaldo percebeu, então, que aprender a língua inglesa começava a se fazer necessário. Assim, mudou-se para a Inglaterra e passou a estudar, mas por pouco tempo. “Eu percebi que estava lá há três meses e não estava aprendendo nada. Saía da escola para casa, onde trabalhava somente com o pessoal do Brasil. Eu queria trabalhar e viver como britânico, e coloquei nas redes sociais que procurava um trabalho em inglês”, contou. O convite definitivo para trabalhar na Apple demorou apenas 40 minutos para chegar e ser aceito.

Novo emprego

“Eu me penso como um bom designer, mas lá eu era só mais um entre centenas de outros. Com a bagagem que adquiri na Apple a gente pode levar o Brasil para outro nível de reconhecimento, tornar o Brasil relevante no cenário de tecnologia mundial”, sintetiza Everaldo sobre o que o motivou a aceitar a proposta da Movile e voltar para o Brasil.  Há mais de dez anos no mercado, a Movile trabalha principalmente na América Latina, oferecendo desde serviços de interatividade baseados em mensagens de texto, portais móveis, downloads para celulares (aplicativos, jogos, música, vídeos e imagens), mobile marketing e entretenimento móvel até mensagens corporativas por meio de telefones móveis.

Fonte: G1

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