Fonte:  Comunidade News 

Quarenta e uma vitórias e o sonho de disputar o Grande Prêmio Brasil. Conquistas e desejos de Maylan Studart, 20, joqueta brasileira que está se destacando nos Estados Unidos. Um dos maiores desafios dela é provar que as mulheres são tão boas quanto os homens no quesito montaria.

O carinho que Maylan dispensa aos cavalos é o mesmo com que se dedica ao turfe. A sintonia perfeita entre a joqueta e os animais é automaticamente transferida para as pistas. Segundo ela, um cavalo é capaz de sentir até mesmo quando ela não está se sentindo bem.

Foi ainda bebê que Maylan montou um cavalo pela primeira vez. A paixão cresceu e aos 14 anos já sabia o que queria. O sobrenome inglês, que significa “arte de cavalos”, diz tudo. Como só poderia frequentar a escola de jóqueis aos 16 anos, esperou pacientemente.

As dificuldades iniciais começaram pela discriminação. Segundo Maylan, os treinadores no Brasil olhavam primeiro para os meninos. Montava os cavalos de graça para treiná-los e raramente era chamada para corridas. Ganhava em média R$200 por mês, competindo com animais ruins. Dos 40 páreos semanais, era convidada para somente quatro.

A troca de roupa no Jockey Club do Brasil no Rio de Janeiro, minutos antes de um páreo, era conseguida a duras penas. Não havia vestiários nem dormitórios para mulheres no local. Maylan então batia na porta dos banheiros dos funcionários. Por não conseguir dormir no local, acordava às 4h30am a fim de pegar o ônibus.

Mas a sorte da joqueta começou a mudar há um ano, quando John da Silva, americano filho de pernambucanos e caça talentos de jóqueis iniciantes viu Maylan no Brasil. O estilo agressivo da jovem encantou John, que a trouxe para os EUA, onde ela já sentiu a diferença: mesmo antes de sair do avião, já tinha três corridas marcadas. Com somente um mês em Nova York, ganhou $20,000 pelas vitórias conquistadas.

Ela Vai Longe

Maylan virou sensação nos Estados Unidos. Vários jornais americanos, entre eles o New York Times, se renderam ao talento da brasileira, que pesa 50 quilos e frequenta a academia todas as tardes. A rotina é feita de acordar e dormir cedo, participando de corridas também nos finais de semana.

Ela, porém, não se queixa. A adaptação ao país não foi difícil. Já morou em Los Angeles dos 7 aos 11 anos. Com a morte do padrasto, a família voltou para o Brasil. Fala inglês fluentemente e a única coisa diferente para ela é a neve, que nunca tinha visto.

Tantos obstáculos depois, Maylan só quer agora pensar no presente. Mesmo já tendo competido enfrentando um frio de 4 graus negativos, não pensa em voltar para o Brasil, a não ser por um forte motivo: participar do Grande Prêmio Brasil.

Além de pensar sempre nos cavalos, a carioca filha de Ipanema tem agora mais um desafio pela frente: manter o sucesso conquistado.

Reproduzido com permissão do Comunidade News.  Leia outros artigos do Comunidade News.

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