Tenho tratado nesta série de textos da imigração do ponto de vista do imigrante. Quero, agora, inverter esta direção como meio de refletirmos sobre os desafios que o lugar nos impõe. Eles serão somados aos nossos próprios.

Inicialmente, falar da história americana usando como referencia os países do velho mundo é ter muito pouco a contar. Não há uma página relevante sequer de história com fatos da antiguidade ou da Idade Média. Mas, diferente do que possa parecer, isso não deixou de ser um trauma.

Primeiro porque, na criação do país como o conhecemos, a imigração foi o ponto de partida. Com essas famílias, tradições e problemas históricos também vieram para cá. De qualquer modo, este fato, a imigração, está na origem de quase todas as famílias americanas.

Usando a lógica, sabemos que os motivos da partida de cada “novo americano” de sua terra natal foi, em princípio, a busca de uma nova vida, melhor que outra. Daí que poderiam plantar traumas históricos na origem dessa nova sociedade, mas “recusaram” isso.

Esta recusa representa um capítulo delicado para a psicanálise, mas há outro mais evidente. Sem outra forma de ser inventado, o Estado americano, fundado num ato de vontade, tinha que integrar  todos os imigrantes e suas diferentes culturas.

Como profissão de fé, passaram a promover um patriotismo constitucional onde mostrar a bandeira  raramente foi um ato agressivo para com inimigos, mas antes um convite aos imigrantes e seus descendentes em fundir-se numa nova nação.

O segundo ponto a se destacar é que o liberalismo cultivado na origem dos EUA legou à experiência coletiva americana uma história de sucesso. Isso também gerou uma conveniente e ainda atual “virada de costas” para o sofrido passado dos fundadores da nação.

E esta história de sucesso ainda não terminou, mesmo com a crise atual. Por isso, novos imigrantes querem chegar, mas a situação agora é outra. Com o desafio de fundar a nação vencido, resta outro, talvez maior, o de cuidar dela. E eles sabem fazer isso bem em seus estádios e no seu “way of life“.

Pensar nessa história é importante para compreendermos este lugar do mundo e como podemos criar nosso próprio espaço aqui. Para isso, devemos saber que as regras continuam sendo as mesmas que surgiram lá no início deste lugar emblematizado como um sonho, o “sonho americano”.

Os objetivos de imigrar são particulares, mas cada um deve entender que o ambiente é totalmente voltado para o cultivo da alma americana. Por isso, antes de querer e tentar plantar raízes aqui, devemos saber fazer isso. Não é fácil, mas é possível. O “sonho americano” ainda existe.

A partir da próxima edição estaremos disponibilizando a página “Consultório do imigrante – viver bem em outro país”, onde o autor estará respondendo questões dos leitores. Envie perguntas para soazeli@gmail.com. As questões selecionadas serão respondidas neste espaço e todos os e-mails serão publicados de forma anônima.

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2 Comentários em "Por um Novo Sujeito – Parte 4"

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Redação BNEU
Admin

Priscila,

O temperamento, como em qualquer outro lugar varia de pessoa para pessoa. Não seria apropriado prover uma resposta generalizada. Quanto às leis, todas são importantes! O desrespeito das leis pode resultar em graves problemas, incluindo taxas, prisão e deportação.

priscila
Visitante

ola,meu nome e priscila e gostaria de tirar algumas duvidas basicas a respeito da convivencia com os americanos sobre seu temperamento no que diz respeito ao dia-dia e tambem sobre algumas leis americanas que sao importantes para quem é brasileiro e mora atualmente nos E.U.A.
obrigado!

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