Fonte:  Comunidade News 

Fique alerta para os sintomas da depressão. Você pode estar sofrendo de Transtorno Afetivo Sazonal (TAS)

Para algumas pessoas, o inverno é sinônimo de aconchego e de paisagens dignas de um cartão postal. Mas há quem sofra com a chegada da fria estação. Os dias cinzentos e mais curtos podem desencadear o chamado “winter blues”, ou seja, depressão de inverno. Foi assim com Jeanete Santos, moradora de Mount Vernon (NY). Gostou muito de ver neve pela primeira vez, em 1987. O quadro mudou totalmente no ano seguinte. “Eu conseguia ver tudo cinza, esquisito. Não tinha graça”, disse ela, que tinha a impressão de que o inverno tirava completamente a vida de tudo.

Demorou algum tempo para ela perceber que toda esta tristeza era por conta do inverno. “No verão eu era outra”. Com a recomendação médica de se distrair, Jeanete decidiu fazer um curso. Segundo a brasileira, ajudou bastante. Ela disse que se auto educou para passar o inverno, e atualmente lida bem melhor com a chegada da estação. O caso de Jeanete é mais comum do que se possa imaginar. Segundo uma reportagem da CNN, estima-se que 12 milhões de pessoas no norte da Europa sofram da depressão de inverno, também conhecida como transtorno afetivo sazonal (TAS).

De acordo com a Clínica de Cleveland (OH), o mal atinge cerca de 4% a 6% da população dos Estados Unidos. De 10% a 20% da população tem o TAs, mas de forma mais moderada. Moradora de Gloucestershire, Inglaterra, Rachelle Strauss, 38, viu tudo mudar há 10 anos. A falta de energia e a depressão formaram um verdadeiro círculo vicioso na vida da mulher durante o inverno.

Deprimida por não poder fazer o que queria, encontrou alívio na terapia da luz. Acompanhada de uma caixa de luz no café da manhã, ela encontra energia suficiente para passar o resto do dia. Apesar de morar nos Estados Unidos há 13 anos, Lúcia Oliveira não se livrou da tristeza durante o inverno.

Os sintomas são muitos. “Um vazio muito grande, uma dor no peito, nada tem sentido. É uma tristeza que dói”, disse ela, que chora bastante. Tudo muda na primavera e no verão. “Fico mais alegre, disposta, animada, cheia de planos. O que não acontece no inverno”. Lúcia admite que talvez precise da terapia da luz, mas nunca procurou ajuda profissional.

Para suportar os invernos, trabalha e estuda bastante. Encontra o porto seguro na própria casa, e pensa até em mudar para outro lugar. “À procura do sol, de uma luz”. Dicas e alertas de profissionais Segundo a psicóloga Márcia Guimarães, esta depressão típica do inverno é acionada pela falta de luz do sol e de calor, e pode mascarar uma depressão latente e que precisa ser trabalhada. “Independente de ser no inverno”, alerta. Quadros mais graves que incluem pensamentos suicidas precisam ser tratados, de acordo com Márcia.

Um método bastante eficaz, de acordo com a psicóloga, é a terapia cognitiva. Como terapia alternativa ela recomenda a introdução da melatonina, hormônio que regula o sono. “Ajuda na questão do sono excessivo”. Em ambientes mais escuros, os níveis de melatonina aumentam. A alteração da rotina, quando possível, para aproveitar ao máximo a exposição ao sol, é outra sugestão da profissional. Segundo Márcia, as mulheres são mais propensas a sofrer do winter blues. “A pessoa que não tem as características de uma depressão não vai desenvolver o winter blues”.

De acordo com Márcia, a atividade física é essencial para superar a depressão de inverno. Trabalhos voluntários e manuais e a vida social também ajudam, segundo ela. “Justamente no convívio com o outro é que você resgata a energia e aumenta a capacidade de combater esta falta de luz que naturalmente existe”. A psicóloga disse ainda que existe um nível normal de queda de energia, durante o inverno.

Segundo o psiquiatra Rogério Ramos, acredita-se que o TAS atinja mais as mulheres por razões hormonais. Ele costuma aplicar a terapia da luz em vários pacientes. “Funciona muito bem, é impressionante mesmo”, disse ele, explicando que o ideal é aplicar a terapia da luz antes do sol nascer e antes do sol se por. O TAS deve ser tratado, de acordo com o psiquiatra, pois pode desencadear sintomas piores como o desejo de se matar.

Ramos disse que é preciso diferenciar entre uma simples tristeza no inverno e uma depressão decorrente da estação. “É uma coisa muito séria. Tem que ser tratado com luz, remédio ou terapia. Seja lá o que estiver disponível para a pessoa. Estamos falando de uma questão de vida ou de morte”.

Reproduzido com permissão e em parceria com a Comunidade News.

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