Marcelo Nakagawa, professor da Insper, tem muita experiência com o empreendedorismo, e compartilha no blog do empreendedor do Estadão, como pessoas de seu conhecimento conseguiram se estabelecer como empreendedores nos Estados Unidos. Veja o que ele tem a dizer sobre o assunto abaixo:

Você tem uma grande habilidade em negócios, ciências, artes, educação ou esportes?

Pode demonstrar algum tipo reconhecimento nacional ou internacional desta habilidade?

Se respondeu não em alguma questão acima, continue lendo o texto.

Meu amigo tinha se formado em computação em uma boa faculdade e depois fez uma pós-graduação em outra escola particular, ambas no Brasil. Começou a trabalhar com gestor de projetos em uma corretora, virou gerente de TI e daí, passou a liderar a área. Cansado da vida de funcionário, decidiu arriscar-se como empreendedor. Ralou durante dois anos, mas depois conseguiu um investidor e o negócio decolou. Vendeu a empresa e decidiu arriscar-se em um sonho antigo: Empreender no Vale do Silício.

Entre um bate-papo e outro descobriu que havia uma categoria de visto chamada O-1A para pessoas com as tais habilidades extraordinárias em negócios, ciências, artes, educação ou esportes. Mas o que era alguém com tais habilidades? Descobriu que até poderia ser alguém “quase prêmio Nobel”, mas ele, com os anos de experiência na área de tecnologia, também se enquadrava. Assim, juntou algumas cartas de recomendação de empresas e pessoas que o conheciam (eu inclusive) e respondeu sim para as duas perguntas do início deste texto e para esta:

Are you coming to the United States to work in your area of extraordinary ability?

E, em questão de dias, obteve seu O-1A. Está feliz da vida. Já tem sua empresa montada e vai com esposa e filho morar em San Francisco.

Outro amigo foi para Boston, fazer parte do seu doutorado lá. Seu orientador ficou tão interessado na sua tese de doutorado que propôs que juntos criassem uma startup. Já no primeiro ano de atividade, recebeu um aporte de US$ 1 milhão mesmo sem ter lançado um produto no mercado. No ano seguinte, recebeu outro aporte de US$ 2 milhões e este ano, mais US$ 7 milhões.

Mesmo ainda sendo uma startup, hoje sua produção está sendo feita na China, os testes clínicos na Índia e parte da pesquisa e desenvolvimento no MIT. Se estivesse no Brasil, este amigo ainda estaria prestando contas da sua bolsa de doutorado para alguma entidade de fomento e sua tese, pegando poeira em alguma biblioteca. O único que teria ganho dinheiro com isso seria a empresa de fotocópia e encadernação.

Muitos brasileiros poderiam chamar estes dois amigos de exceções. E de fato são… para a realidade brasileira. Mas há anos, russos, israelenses, indianos e agora chineses têm imigrado para os Estados Unidos para empreender devido às suas “habilidades extraordinárias”.
E nem por isso, deixam de ser russos, israelenses, indianos ou chineses.

Mas quem tem o visto O-1A continua sonhando com o Green Card. Quando menciono isto, meu amigo de Boston, que já tem o seu, me corta e diz: “Que país no mundo não ia querer alguém com habilidades extraordinárias?”

Quanto ao meu amigo de San Francisco, se tudo der errado, ele terá vivido em uma região incrível, seu filho será fluente em inglês e pode voltar ao seu país com suas habilidades extraordinárias, agora em nível internacional.

Fonte: Estadão

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5 Comentários em "Como Ser um Empreendedor Brasileiro nos Estados Unidos"

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[…] vários artigos sob o tema “negócios”.  Alguns artigos que vale a pena destacar incluem: Como Ser um Empreendedor Brasileiro nos Estados Unidos e Como Abrir uma Empresa nos Estados […]

Wanderley Shinna
Visitante

tenho uma empresa que trabalho com artes “artista plastico” alguem pode me dizer se posso utiliza-la nos estados unidos e quanto de dinheiro preciso ter pra ri pre lá??

Julio
Visitante

Sou formado em publicidade e tenho MBA em planejamento estratégico, estou querendo ir para os EUA e gostaria de uma ajuda ou indicação de como faço para conseguir um emprego la.
Poderia me ajudar?

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