Fonte:  Comunidade News 

Um cientista brasileiro foi agraciado com a Medalha da Ciência, durante o 22° Congresso Brasileiro de Entomologia. Walter Leal, ecologista químico e professor de entomologia – estudo dos insetos – na Universidade da Califórnia, em Davis, (UC Davis), recebeu o prêmio em cerimônia realizada recentemente em Uberlândia (MG).

Segundo Leal, o prêmio foi uma grata surpresa, pois estava preparado somente para fazer a palestra de abertura do congresso. O professor foi premiado por promover o desenvolvimento da ecologia química no Brasil e pelo reconhecimento internacional em ciência. A Medalha da Ciência equivale ao prêmio Companheiro da Sociedade de Entomologia da América (ESA, em inglês).

Durante a cerimônia, que contou com mais de 1.350 cientistas, entre estudantes graduados ou não, Walter falou sobre sua pesquisa em ecologia química e em dietilmeta- toluamida (DEET, na sigla em inglês), composto químico que serve como repelente de insetos. O fato ganhou destaque no Washington Post, New York Times e na BBC.

Na UC Davis, onde está há 8 anos, o professor disse que enfrenta dificuldades sim, mas que são diferentes das encontradas no Brasil. Declarou que a competição é muito grande, principalmente na situação econômica atual, referindo-se à escassez das verbas para pesquisa. Apesar disso, é respeitado na instituição, onde chefiou o Departamento de Entomologia durante dois anos.

Natural de Recife (PE), Walter Leal é Professor Titular da UC Davis, onde divide o tempo entre a sala de aula e o laboratório. Falou com orgulho da presença de alguns brasileiros na universidade, citando a aluna Ana Lia, que abocanhou todos os prêmios da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) no Brasil. O órgão é subordinado ao Ministério da Educação e tem por missão a melhoria da pósgraduação brasileira, através de formação de recursos e promoção da cooperação científica internacional.

Brasil incentiva pesquisas

Um dos projetos que mais está empolgando Leal no momento é um intercâmbio entre universidades americanas e brasileiras, através da CAPES e do Fundo para Melhoria da Educação Pós-Secundária (FIPSE, em inglês). Para acompanhar de perto, o professor vai para o Brasil ainda no final deste mês. Vão participar estudantes da UC Davis, Universidade Estadual da Pensilvânia, Universidade de São Paulo em Piracicaba e Universidade Federal do Paraná.

Com 16 anos de experiência no Ministério da Agricultura do Japão, o professor começou a carreira como químico de produtos naturais. O interesse pela entomologia cresceu ao desenvolver produtos para ser usados em lugar de inseticidas (agrotóxicos), e que portanto podem ajudar a controlar a população dos insetos. O Japão, o Brasil e os EUA já utilizam as importantes descobertas científicas do professor.

Animado com o crescimento da área de pesquisas no Brasil, o professor vai ajudar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), no final de outubro, a avaliar propostas para novos institutos. Segundo o professor, foram injetados cerca de R$ 400 milhões para pesquisas. “O Brasil hoje tem uma produção científica invejável”, declarou.

Walter Leal disse que não ambiciona um Prêmio Nobel, mas tem muito interesse na Academia de Ciências dos EUA. “E do Brasil também”. Para Leal, os prêmios são uma mera conseqüência do bom trabalho.

Reproduzido com permissão do Comunidade News.  Leia outros artigos do Comunidade News.

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