Dois brasileiros estão entre os 100 empreendedores de todo o mundo selecionados para participar de um curso de verão promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) nos Estados Unidos nesta semana. Ao longo de cinco dias de palestras, Marcelo Andriotti e Ricardo Dutra Gonçalves se unem a jovens de outros quase 90 países para encontrar soluções para problemas globais, em um esforço multicultural destinado a quebrar barreiras entre as civilizações. Eles se destacam com ações sociais que geram mudanças nas comunidades em que vivem – Rio de Janeiro, no caso de Marcelo, e Mumbai (Índia), onde mora Ricardo. O curso de verão promovido em conjunto com a EF Education First começou nesta semana em Tarrytown, no Estado de Nova York.

Marcelo e Ricardo têm em comum a vontade de transformar para melhor a realidade em que vivem – e fazem do Brasil um dos apenas sete países com mais de um representante escolhido pelas Nações Unidas. Com a oportunidade de participar desse evento, eles esperam aumentar o alcance de seus projetos e ampliar seu contato com pessoas do mundo inteiro, descobrindo outras iniciativas e ideias através da colaboração com os demais participantes. Essa diversidade é um dos principais pontos
destacados pelos brasileiros.

“A diversidade é muito grande, tanto de informação quanto de contextos. Para mim, esse é o ponto principal: ver pessoas que nasceram de pais do Irã e foram criados no Canadá, ou (naturais) do Paquistão que estão aqui mesmo sabendo do conflito que os países delas têm”, afirmou Ricardo ao Terra em uma pausa entre as aulas. O brasileiro está na Índia há quatro anos e visita os Estados Unidos pela primeira vez.

Projetos brasileiros

Envolvido com a educação de crianças e adolescentes em favelas do Rio de Janeiro, onde mora há 13 anos, Marcelo destaca um dos principais objetivos desse curso de verão: a formação de líderes globais. “Estamos acostumados a fazer, não a sentar e pensar”, pondera o diretor artístico do projeto Favela Mundo, que há quatro anos atende a jovens oferecendo aulas de teatro, música e dança – sempre ligados à cultura brasileira. Mais de 500 jovens já passaram pelo projeto, que oferece ainda cursos profissionalizantes para os pais, a fim de atingir toda a família desses moradores de áreas pobres.

Ricardo trabalha em uma incubadora de projetos de empreendedorismo social na cidade mais populosa da Índia. Seu trabalho é ajudar pessoas que têm ideias inovadoras, contribuindo com iniciativas que podem provocar mudanças: desde as recém-lançadas até aquelas que existem há anos e ainda não obtiveram grande alcance. Com o Bombay Connect, o brasileiro procura ainda facilitara colaboração entre grupos diversos. “Esse tipo de troca que a gente começa a fazer aqui é muito bacana para todos os projetos”, afirma. Ele planeja voltar ao Brasil em dezembro para iniciar jornadas de aprendizado dedicadas a trazer pessoas do mundo inteiro para conhecer a realidade social do Brasil visitando projetos locais.

Sobre o curso de verão em Nova York, Ricardo garante que as palestras, workshops e discussões têm muito a acrescentar às vidas de cada participante. “(O evento) tem metodologias com as quais não estou acostumado, porque minha conexão não é nenhuma com academia, com estudo; não estou acostumado a sentar para estudar: sempre achei que se aprenderia mais fazendo. Para mim isso tem sido, até agora, muito interessante.”

Os brasileiros acreditam ainda que os contatos com as pessoas de dezenas de países que eles estão conhecendo durante o evento deve contribuir para o aperfeiçoamento de suas iniciativas sociais – e o planejamento de novas ideias. “A rede de contatos que estamos fazendo aqui também é muito importante: afinal de contas, é pelas pessoas que você consegue entregar projetos e iniciativas, não pode ser sozinho. Aqui a gente conhece muitas pessoas, e é isso que vale a pena.”

Fonte: Terra

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