Fonte:  Comunidade News 

Quantidade de brasileiros estaria muito acima dos números oficiais

Um dos maiores estudiosos das comunidades brasileiras fora do Brasil se propôs um desafio: saber quantos em quem são os brasucas que vivem nos EUA.

O economista Álvaro Lima combinou dados do Banco de Desenvolvimento Interamericano sobre as remessas de dinheiro para o Brasil, com números do Censo e de pesquisas dele próprio. O resultado de “Brasileiros na América” confirma a magnitude de uma comunidade que cresce em população, em poder econômico, mas não em influência política.

Através dos US$ 2,7 bilhões enviados dos EUA para o Brasil em 2006, Lima constatou que entre 803 mil e 1,4 milhões de brasileiros vivem nos EUA. Isso daria uma média de remessa de US$ 300 a 400 por brasileiro. ‘Troquinho’ esse que o brasuca envia à família de 10 a 12 vezes por ano.
Ou seja, enquanto o Censo 2000 estimava haver 212.428 brasileiros nos EUA, o número real pode ser até 7 vezes maior. Os dados não consideram o êxodo de brasileiros dos EUA desde 2008.

Mas mostram que a maior comunidade vive em Massachusetts (336 mil), seguida de Flórida (280 mil), Nova Jersey (140 mil), Califórnia (126 mil) e Nova York (98 mil).

Além de não seguir a tendência de outras comunidades, que migram para estados fronteiriços com o México, a ‘brasucada’ também não é mais representada por homens solteiros. Mulheres são maioria, (51%), e os estados do Brasil que mais ‘exportam’ mão-de-obra são: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná e Santa Catarina – embora outros 11 estados também fazem a ‘rota’ emigratória.

Metade do fluxo dos brasucas para os EUA aconteceu entre 2000 e 2007 (50,2%), contra 30% entre 90 e 99, 11% entre 80 e 89, e apenas 8,8% antes de 1980. A pesquisa confirma (mas, por pouco) que quanto mais ‘veterano’ nos EUA, mas chance de estar legalizado por aqui. De todos os brasucas naturalizados, 52,4% chegaram ao país até 1989, enquanto 47,6% desembarcaram entre 1990 e 2007. Entre os não-naturalizados (muitos ainda estão ilegais), 62,7% chegaram entre 2000 e 2007.

Mas, se você ainda não está convencido de que o brasileiro dá mais do que tira dos EUA, veja outros ‘patrimônios pessoais’ que deixamos por aqui:
– Produtividade: A maioria dos brasucas chega aqui em idades entre 20 e 49 anos, período mais produtivo da vida do ser humano;

– Casório: Brasileiros são mais casados que a população americana, 56% dos nossos, contra 48,5% deles. E, no geral, imigrantes são mais afeitos ao compromisso matrimonial, 59,9% deles são casados;

– Educação I: Um terço dos brasileiros tem um diploma da escola secundária, comparado com 24% de todos os imigrantes e 31% da população americana;

– Educação II: Brasileiros possuem mais diploma universitário: cerca de 19% dos brasileiros têm um diploma de graduação, comparados com 16% dos outros imigrantes e 18% dos nativos;

– Educação III: A proporção de portadores de diploma de pós-graduação é similar para os 3 grupos: 10% para os brasileiros e 11% para americanos e outros imigrantes;

– Trabalho: Brasucas têm maior participação no mercado de trabalho do que americanos e outros imigrantes. Entre os homens: 86% dos brasileiros, contra 79% dos outros imigrantes e 69% dos americanos. Entre as mulheres: 64% das brasileiras, 55% das outras estrangeiras e 59% das americanas.

– Inglês: Entre os imigrantes que não falam inglês bem, 80% dos brasileiros e 64% de todos os imigrantes participam na força de trabalho;
– Desemprego em 2007: A taxa de desemprego dos brasileiros era somente 3,8%, comparado com 5,5% para todos os imigrantes e 6,5% para os americanos;

Esses dados são proporcionais, já que a população americana é imensamente maior.

Embora o brasileiro já tenha demonstrado que sabe “se virar” nos EUA (apenas 7,1% vivem em situação de pobreza, contra 14,4% dos americanos), Lima diz que o único fator que impede o desenvolvimento da comunidade é a falta de engajamento político.

“Você consegue representação política com dois fatores: dinheiro para organizar campanhas e networking, ou seja ter capital humano para trabalhar para você. O brasileiro ainda não se organizou o suficiente, e a influência política da comunidade é quase inexistente,” disse Lima durante a coletiva para a imprensa em Somerville.

A pesquisa confirmou que o brasileiro pode até ser mais bem sucedido que outros grupos (nossa renda média é de US$ 31,5 mil, contra US$ 30,3 mil dos demais). Mas as remessas também podem provar que os brasucas pensam mais num futuro no Brasil do que nos EUA.

Reproduzido com permissão do Comunidade News.  Leia outros artigos do Comunidade News.

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2 Comentários em "Economista Desvenda Quem e Quantos Somos nos EUA"

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[…] empregos em setores defasados pela recessão. Levando em consideração que já existem cerca de 212.428 brasileiros no país, imagina o que vai rolar de feijoada por lá se a ideia se tornar […]

CARLOS ANDRÉ - SP
Visitante

POIS É, ESSA PESQUISA MOSTRA CLARAMENTE, QUE, AS COISAS CONTINUAM DIFICEIS POR AQUI, ESSE NÚMERO DE BRASUCAS SÓ DEU UMA DIMINUIDA DEVIDO A CRISE MUNDIAL PORQUE SE NAO……….
ESTOU TENTANDO DE TODAS AS FORMAS IR MORAR E TRABALHAR NO ESTADOS UNIDOS, POIS AQUI TA MUITO DIFICIL, TRABALHO E FAÇO FACULDADE
E AS MUITAS VEZES O QUE RECEBO MAL DAR PRA PAGAR AS CONTAS, VOU CONTINUAR TENTANDO, SE EXISTIR ALGUM CONTERRANEO AI DO OUTRO LADO QUE POSSA DA UMA FORÇA PRO AMIGAO AQUI É SO ME AVISAR QUE EU VOU SER MUIKTO GRATO.

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