O brasileiro que deixou para vir para os Estados Unidos nos últimos meses sentiu certo impacto no bolso ao retornar para o seu país. As malas voltaram um pouco mais vazias, o que não é comum para aqueles que vem e querem aproveitar todas as ofertas e levar na bagagem perfumes, maquiagens, shampoos, cremes entre outros produtos importados. A explicação para as malas menos abarrotadas se deve, claro, pela alta do dólar. Em agosto, por exemplo, a moeda teve a sua maior cotação em 5 anos chegando a R$ 2,44. Até a Receita Federal viu o número de apreensões cair, houve uma queda de 3,5% na apreensão de mercadorias sem nota fiscal nos aeroportos, portos e fronteiras só no primeiro semestre deste ano.

Para manter as vendas, mesmo com a moeda americana valorizada, as maiores operadoras de turismo brasileiras definiram algumas estratégias, entre elas, abrir mão de parte dos seus lucros, vendendo pacotes de viagens com o dólar em uma cotação mais baixa. “Não poderia abrir mão da tão sonhada viagem da minha filha para a Disney, então a solução foi economizar em algumas despesas de casa e procurar agências de viagens que oferecessem um pacote mais atrativo”, declarou a pedagoga Aparecida Gonçalves.

A pedagoga procurou uma alternativa para não desistir da viagem da filha mais velha, que passou 10 dias em Orlando. “Ela só não abusou muito na hora de trazer lembrancinhas para família, mas aproveitou bastante. Fechei com uma agência que ofereceu alimentação no pacote”, explicou.

Apesar do aumento do dólar encarecer as despesas com passagens, hospedagem e alimentação, tais fatores não apareceram como problemas para os brasileiros. Segundo dados divulgados recentemente pelo Banco Central, as despesas no exterior de brasileiros seguem em alta, mesmo com a valorização da moeda frente ao real. Somente em agosto, por exemplo, de acordo com o BC, os gastos no exterior somaram US$ 2,22 bilhões.

“Aqui no estado na Flórida não notamos queda de clientes brasileiros nos nossos restaurantes. Quando iniciamos a época de baixa temporada, em setembro, continuamos com uma alta produção. A demanda de clientes cresce a cada dia. São turistas que nos procuram porque estão com saudades da comida brasileira, do tempero exclusivo do país”, declarou Leo Charamba, sócio proprietário do Camila’s Restaurant, estabelecimento que comercializa comida tipicamente brasileira. Charamba conta que no último mês o restaurante produziu 800 kg de feijão e 3 toneladas de arroz, média que se compara aos períodos de alta temporada nos Estados Unidos.

 Cartão de Crédito X Cartão de Débito

 Economistas orientam aqueles que viajam para o exterior e que não querem ser surpreendidos com contas de cartão de crédito, devido à alta do dólar – mesmo no período que se compreende por baixa temporada, a optarem pelo cartão de débito pré-pago. O cartão de crédito contem altas taxas de IOF e a vantagem de usar o pré-pago é que o brasileiro deposita um determinado valor e limita-se a gastar dentro do planejado. Ainda, segundo economistas, os gastos no exterior não sofreram alteração, continuam aumentando, porque há relação direta com a continuidade do crescimento do emprego e renda no Brasil, ainda que exista um ritmo menor de expansão da economia nacional.

Fonte: Futura Produção

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