Muitas pessoas têm o desejo de estudar no exterior, especialmente nos EUA. Muitas delas não têm a mínima idéia por onde começar. Muitas vezes é difícil encontrar informações precisas sobre o assunto. Muitos ainda reclamam disso, mesmo na era Google e Wikipédia.
Se esse é o seu caso não se preocupe, o processo não é tão complicado quando parece. Planejamento é a chave do sucesso. A primeira coisa importante, na minha opinião, é saber o motivo pelo qual você deseja estudar no exterior. Mesmo que deseje retornar ao Brasil ou ficar após o término do curso não vale a pena desperdiçar tempo e dinheiro em qualquer curso ou em qualquer faculdade. Dedique tempo e dinheiro em algo que realmente pretenda usar.
Uma vez estabelecido este objetivo é hora de decidir o curso. Alguns já começam procurando uma boa faculdade e depois pesquisam os cursos disponíveis. Um rapaz me disse outro dia: “Não importa o curso que eu esteja fazendo contanto que seja em Harvard”. E ainda disse “Harvard” com a boca cheia e um sotaque meio Inglês. É imaturo pensar que qualquer um pode ir à Harvard e também pensar que a escola é o único fator do sucesso. Muitos caem do cavalo! Outra pessoa me consultando pelo msn disse que estava “pensando em ajuntar algum dinheiro” e que achava que nas faculdades públicas americanas ninguém pagava um dólar sequer, nem mesmo americanos. Diferentemente do Brasil, aqui todos têm que pagar ao menos que você seja um atleta promissor.
Escolher o curso antes é muito importante. Afinal, após o término do curso é nessa área que você vai passar a maior parte do tempo. Faça um teste vocacional se preciso e não tenha medo de fazer algo completamente diferente do que tem feito mesmo que já tenha uma certa idade. Nunca é tarde pra mudar. Decidido o curso, graduação, pós-graduação, mestrado, etc…agora sim está na hora de procurar as escolas. O Google pode ajudar nisso.
Escolha 2 ou três escolas que cabem no seu bolso. Pesquise bastante sobre elas, leia artigos que falem sobre os cursos, as cidades onde estão localizadas, população, transporte público, custo de vida, índice de crime, preços dos aluguéis, vida cultural, preço do curso(muito importante!), etc. Estudar nos EUA não é algo barato. Alguns já querem conseguir uma bolsa 100%. É fácil conseguir uma bolsa 100% no Brasil? Se já é difícil no Brasil, no exterior ainda mais. Principalmente pelo fato de que as escolas, segundo as leis americanas, precisam incentivar primeiro seus próprios residentes e depois os estrangeiros. Consegue-se bolsa parcial sim, mas é melhor não contar com isso no momento. Seja realista, pense na pior situação. Também, os estudantes brasileiros não se qualificam para receber o Financial Aid – o financiamento do curso pelo governo disponível somente aos que residem legalmente no país.
Depois de escolhida a escola, procure no site da mesma quais os requisitos para estudantes internacionais. Agora é a hora de começar a fazer uma lista das coisas que você precisa fazer para alcançar seu objetivo. A escola exige, por exemplo, certificado do TOEFL com mínimo de 80 pontos, cópias juramentadas dos diplomas de ensino fundamental, médio, faculdade, etc…O que você não souber o que é, corra atrás para descobrir.
Faça sua lista em uma ordem cronológica. Por exemplo, não adianta você já ir fazendo cópias da documentação se ainda não conseguiu o certificado do TOEFL. Talvez precise frequentar um curso de inglês por um tempo antes de fazer o exame. Talvez não passe e tenha que fazer novamente. Portanto, faça sua lista em ordem de pré-requisito. O quê vem antes do quê, qual o próximo passo lógico e o que pode ser feito paralelamente, ou seja, ao mesmo tempo. A compra da passagem aérea por exemplo, é uma das últimas coisas da lista. Cheque com a lista de requisitos da faculdade pra ver se você não esqueceu de nada. Estabeleça prazos para o cumprimento de cada ítem e veja no final quantos meses serão necessários. Não desanime se perceber que tem um longo caminho pela frente. No final, vai compensar.
A minha lista era grande. Eu me lembro que uma das exigências da minha escola era a comprovação, por meio de extratos bancários e declarações do Banco, que eu possuía o dinheiro necessário para a faculdade e o sustento para o primeiro ano. Isso se deve ao fato de que, somente após o primeiro ano de estudo, o estudante internacional pode trabalhar legalmente para se manter nos EUA. Na época, eu não possuía a quantia necessária. Por isso fiz ajustes e um plano para economizar. Avaliei quantos meses seriam necessários para cumprir essa meta. Foram necessários 2,5 anos para que eu ajuntasse a quantia às custas de muitas horas extras de trabalho. Paralelamente eu frequentei um curso preparatório para o TOEFL, GRE, fiz os exames, procurei hospedagem, pesquisei tudo que podia na internet e fui me comunicando com os representantes da faculdade. Quando cheguei em Orlando, pouca coisa era surpresa.
Completamente instalado era só esperar o primeiro dia de aula. Me senti como me sentia quando era criança, nervoso e ansioso, não tendo a mínima idéia do que iria acontecer. Algumas derrapadas com a língua inglesa, mas de resto correu tudo bem. Após um tempo de adaptação tudo fica muito parecido com o Brasil. Assistir às aulas, fazer os trabalhos, pesquisas, lições, leituras, etc. De vez em quando um tempo livre para conhecer a cidade, ir ao cinema, passear nos parques. Próxima etapa, arrumar um trabalho.
Viver e estudar no exterior é muito recompensador. Envolve muito planejamento, pesquisa e preparação mas, isso não deve ser motivo de desânimo. Pode-se derivar muito prazer mesmo na época da preparação onde você fecha os olhos e se imagina vivendo e estudando nos EUA. Um dia você acorda e percebe que com trabalho diligente seu sonho se tornou realidade.