Desde 22 de julho de 2026, os Estados Unidos passaram a cobrar uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil. Para quem vive aqui e faz uma voltinha no mercado brasileiro pra matar a saudade, a pergunta é direta: vai ficar mais caro? A resposta curta é “depende do produto” — e a boa notícia é que os itens mais queridos foram, em grande parte, poupados.

O que aconteceu

A medida é uma tarifa da chamada Seção 301, aplicada pelo escritório de comércio dos EUA (USTR) depois de uma investigação de quase um ano sobre práticas comerciais do Brasil — de comércio digital e meios de pagamento a etanol, propriedade intelectual e desmatamento. Na prática, ela cobra 25% a mais sobre o valor de “substancialmente todos” os produtos que entram nos EUA vindos do Brasil.

O governo brasileiro classificou a tarifa como injustificada e prometeu recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). As negociações entre os dois países seguem em aberto — do lado americano, conduzidas pelo secretário de Estado Marco Rubio —, então a lista de produtos e o próprio percentual ainda podem mudar nos próximos meses.

A boa notícia: o cafezinho e a picanha foram poupados

A tarifa vem com uma lista de mais de 2.100 exceções. E é aí que mora o alívio pra quem mora nos EUA: os principais produtos brasileiros que a gente consome aqui ficaram de fora da cobrança. Entre os isentos estão:

  • Café — seu cafezinho de todo dia não foi tarifado.
  • Carne bovina — a picanha e os outros cortes seguem sem a tarifa.
  • Laranja e suco de laranja.
  • Aviões e peças, produtos farmacêuticos, itens de energia e doações humanitárias.

Ou seja: os campeões da mesa brasileira nos EUA escaparam. Isso significa que a maior parte da sua conta de supermercado não deve mudar por causa dessa tarifa.

O que pode ficar mais caro

O que não está na lista de exceções são, em boa parte, os alimentos industrializados e embalados — justamente os que enchem a prateleira “de saudade” do mercado brasileiro. Podem sentir a tarifa, por exemplo:

  • Guaraná e outros refrigerantes brasileiros;
  • Doces prontos (doce de leite, brigadeiro, paçoca);
  • Biscoitos, bolachas e salgadinhos;
  • Polvilho e misturas prontas para pão de queijo;
  • Requeijão, queijos processados e temperos.

Um detalhe importante, pra não criar pânico: a tarifa é paga pelo importador na entrada da mercadoria, e nem sempre esse custo chega inteiro à prateleira. A loja pode absorver parte, trocar de fornecedor ou buscar um produto equivalente feito nos próprios EUA. Então, quando houver aumento, ele tende a ser gradual e desigual — não um salto de 25% da noite pro dia em tudo.

E o dólar nisso tudo?

Vale separar as coisas. A tarifa encarece produtos brasileiros dentro dos EUA — é um custo de importação. Ela é diferente do câmbio, que mexe com quem manda dinheiro pra casa. Nesta semana, o dólar está em torno de R$ 5,11, em leve alta, o que continua favorável pra quem faz remessa (mais reais pra família no Brasil). Se você manda dinheiro com frequência, vale conferir o nosso guia de como enviar pagando menos taxa.

O que fazer

  • Não precisa estocar por pânico. Os itens principais — café, carne e suco de laranja — não foram tarifados.
  • Se um produto específico subir, procure o equivalente nacional (muita marca “brasileira” já é produzida aqui) ou pergunte no seu mercado brasileiro de confiança, que às vezes tem fornecedor próprio. Nossos guias de comunidade listam os mercados brasileiros de cada região.
  • Fique de olho. As negociações continuam e a lista de produtos pode mudar — pra mais ou pra menos.

No fim das contas, o susto do “tarifaço” é menor do que parece na hora da compra: o que faz o dia a dia da comunidade — o café, a carne, o suco — passou ileso. O que pode pesar é a saudade embalada, aquele guaraná ou aquele doce de leite específico. E, mesmo aí, com calma e comparando preços, dá pra contornar.


Fontes: USTR / Office of the U.S. Trade Representative (tarifa Seção 301 sobre o Brasil, em vigor em 22/07/2026); CNBC e Courthouse News (cobertura da medida e das exceções); ratio de câmbio: cotação do dólar exibida no nosso site (07/08/2026). As negociações comerciais entre Brasil e EUA seguem em andamento — informações sujeitas a atualização.