Para quem acabou de chegar aos Estados Unidos, o Halloween costuma pegar de surpresa. No Brasil, a data é discreta — quando muito, uma festa de fantasia entre amigos. Aqui, a partir de meados de outubro, casas inteiras se cobrem de abóboras, teias de aranha e esqueletos, as farmácias dedicam corredores inteiros a doces e fantasias, e as escolas já avisam sobre desfiles e eventos. Para famílias brasileiras com filhos pequenos, a primeira pergunta costuma ser simples: como isso funciona, de verdade?

Como funciona o trick-or-treat

A tradição central do Halloween americano é o trick-or-treat: crianças fantasiadas saem de casa em casa, batem (ou tocam a campainha) e dizem a frase que dá nome ao costume — pedindo doces. As casas que querem participar costumam deixar isso claro: luz de varanda acesa e alguma decoração na porta é o sinal de que ali tem doce. Luz apagada, em geral, significa que a família não está participando naquele momento.

A circulação costuna ser no fim da tarde e início da noite de 31 de outubro, ainda com luz do dia, o que ajuda bastante quem está levando os filhos pela primeira vez. Adultos também se fantasiam e é comum ver quintais decorados com semanas de antecedência — parte da graça, para os vizinhos, é justamente a decoração.

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Trunk-or-treat: a versão que pode ser a sua primeira experiência

Em muitas comunidades, principalmente igrejas, escolas e associações de bairro, existe uma alternativa ao Halloween de porta em porta: o trunk-or-treat. Famílias estacionam os carros lado a lado, geralmente num estacionamento, abrem o porta-malas decorado com tema de Halloween e distribuem doces para as crianças, que passam de carro em carro já fantasiadas.

A ideia surgiu como uma versão mais controlada do trick-or-treat tradicional — os organizadores sabem exatamente quem está distribuindo doces, o espaço é fechado e a criançada não precisa percorrer uma rua inteira. Para uma família brasileira que não conhece ainda quais vizinhos participam ou como é o bairro à noite, um trunk-or-treat na escola ou na igreja costuma ser a porta de entrada mais tranquila para a tradição.

Dicas práticas para quem nunca fez isso

  • Pergunte na escola: a maioria das escolas públicas americanas faz desfile de fantasia ou “fall festival” por volta do dia 31, e muitas vezes um trunk-or-treat organizado — é informação que costuma vir por e-mail ou aplicativo da escola, e vale perguntar à professora se não chegou.
  • Observe a casa antes de bater: luz de varanda acesa e decoração são o sinal de “aberto”; sem luz, é melhor pular.
  • Vá em grupo e com um adulto: mesmo em bairros tranquilos, é raro ver crianças pequenas sozinhas — o normal é ir acompanhado por um responsável, muitas vezes com outras famílias do bairro ou da escola.
  • Pense em algo refletivo: escurece rápido no fim de outubro; uma lanterna ou fita refletiva na fantasia ajuda bastante na segurança.
  • Confira os doces em casa: é hábito comum revisar o que foi coletado antes da criança comer, descartando qualquer embalagem já aberta ou sem identificação.
  • A fantasia não precisa ser cara: muita gente improvisa com o que já tem em casa — não é obrigatório comprar fantasia nova todo ano.

E se a família quiser manter um pé no Brasil também?

No Brasil, 31 de outubro também é o Dia do Saci, criado por lei federal em 2003 como uma espécie de contraponto nacional ao Halloween — uma forma de lembrar o folclore brasileiro no mesmo dia em que a data americana ganhou força por aqui. Não há nada que impeça as duas coisas de conviverem: muitas famílias brasileiras nos EUA aproveitam a época para contar aos filhos quem é o Saci, o Boitatá ou a Mula sem Cabeça, ao mesmo tempo em que participam do trick-or-treat do bairro ou da escola.

Este ano, o dia 31 de outubro cai num sábado — o que deve deixar as ruas ainda mais movimentadas, já que não é dia de escola no dia seguinte. É um bom momento para perguntar aos vizinhos ou a outras famílias brasileiras do grupo do WhatsApp local como costuma ser na sua região, e decidir em família o quanto querem participar. Não tem problema nenhum em aderir só um pouco, ou em aderir de corpo e alma — o Halloween, para quem cria filhos nos EUA, vira rapidamente só mais uma data do calendário americano que a família vai aprendendo a fazer sua.

Fontes: pesquisas sobre a origem e o funcionamento do trunk-or-treat nos EUA; reportagens brasileiras sobre a criação do Dia do Saci por lei federal em 2003 como contraponto ao Halloween.

Foto: Yuting Gao / Pexels