Tem um lugar em Connecticut onde, nos dias de jogo da seleção, o churrasco toma conta do quintal e a rua some debaixo de bandeira verde e amarela — e não é exceção, é rotina. É Danbury, cidade de Connecticut a menos de duas horas de Nova York, que carrega um título que poucos brasileiros de fora conhecem: segundo o Censo americano, citado pela Connecticut Public, é a terceira maior comunidade brasileira dos Estados Unidos.

Uma cidade que já era de imigrantes antes dos brasileiros chegarem

Danbury não começou brasileira. A cidade foi, por mais de um século, destino de poloneses e eslovacos que vieram trabalhar na indústria de chapéus, e de libaneses que chegaram a partir de 1890 — tornando-se, com o tempo, a maior comunidade de língua árabe de Connecticut. Os brasileiros chegaram depois, somando-se a essa tradição em vez de criá-la, e hoje dividem a cidade com equatorianos, porto-riquenhos e mexicanos, segundo reportagem da Yale Daily News sobre a vida latina na região.

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Os pilares da vida brasileira em Danbury

  • Igreja própria. A comunidade católica brasileira de Danbury tem a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, que funcionou por quase duas décadas como quase-paróquia ligada à St. Peter’s antes de se tornar paróquia independente em 2020 — um marco que diz muito sobre o tamanho e a permanência da comunidade na cidade.
  • Representação política. Connecticut já elegeu o primeiro deputado estadual brasileiro-americano da história da Assembleia Geral do estado — alguém que chegou a Danbury com sete anos de idade e hoje representa a cidade que o recebeu.
  • Noite de samba. A casa noturna Tuxedo Junction, no centro de Danbury, virou point de “Samba Sunday”, um dos pontos de encontro da vida noturna latina da cidade, segundo a Yale Daily News.
  • Copa do Mundo como feriado não oficial. Em ano de Copa, reportagem da Connecticut Public descreveu como milhares de brasileiros em Danbury se reúnem para assistir aos jogos, comer churrasco e torcer juntos — a cidade inteira muda de cor por algumas tardes.

Por que Danbury, e não só Boston ou Nova York

A resposta de sempre: trabalho e aluguel. Próxima o suficiente de Nova York para dar acesso a oportunidades, mas pequena e menos cara para quem está começando — foi essa combinação que atraiu, nas últimas décadas, imigrantes de origens variadas para a cidade, e os brasileiros encontraram ali o mesmo caminho que poloneses, eslovacos e libaneses abriram antes. A diferença é que, hoje, quem chega encontra uma estrutura pronta: igreja em português, festival brasileiro anual, grupo de samba e gente que já passou pelo mesmo caminho.

O que isso significa para quem pensa em se mudar para lá

Danbury não é uma cidade turística nem glamorosa — é uma cidade de trabalho, de rotina, de bairro. Mas para quem busca viver perto de outros brasileiros sem pagar os preços de Nova York ou Boston, com igreja, comunidade e eventos culturais já estabelecidos, ela aparece com frequência na lista de destinos menos óbvios — e mais vivíveis — para quem está recomeçando nos EUA.

Foto: Artūras Kokorevas / Pexels

Fontes: reportagem da Connecticut Public sobre a comunidade brasileira de Danbury durante a Copa do Mundo (ctpublic.org); reportagem da Yale Daily News sobre a vida latina em Danbury; página da Diocese de Bridgeport sobre a comunidade brasileira e a Paróquia Nossa Senhora Aparecida; comunicado da bancada democrata da Assembleia Geral de Connecticut sobre o primeiro deputado estadual brasileiro-americano eleito no estado.