Psicóloga Brasileira Aponta Desafios Emocionais dos Imigrantes
Fonte: Comunidade News
A difícil decisão de mudar de país e a realização de um desejo na nova terra são elementos presentes na vida de todos os imigrantes. A distância e a saudade da família e dos amigos também precisam ser vencidas a cada dia. Estes e outros elementos fazem parte dos desafios emocionais dos imigrantes, tema que a psicóloga brasileira Rejane Guerreiro abordou recentemente em palestra realizada no Consulado Brasileiro em Nova Iorque.
Segundo Rejane, a mudança de país é um desafio consciente. No inconsciente está a vontade de realizar algo, que vem acompanhada de um reforço negativo em relação às dificuldades que serão enfrentadas. “Saudade, pressão da família, ou quando os planos de ficar por um tempo determinado precisam ser adiados”, disse ela, enfatizando que isto acontece com a grande maioria dos imigrantes, não só os brasileiros.
Para explicar melhor, Rejane dividiu os imigrantes em número 1, 2 e 3. O imigrante número 1 já vem programado mentalmente para um período de estudo e aprendizado. Enfrenta dificuldades, mas sabe que volta para seu país em breve. O número 2 é classificado por ela de sazonal, aquele que vem especificamente para ganhar dinheiro, mas acaba ficando mais tempo do que o planejado. “Surgem outras necessidades no país de origem, gerando uma sobrecarga de responsabilidades”.
De acordo com Rejane, este fator, aliado às saudades dos entes queridos e ao sentimento de aprisionamento, por estar ilegal, pode gerar um estresse físico e emocional, e até mesmo a depressão. O imigrante número 3 também enfrenta desafios emocionais, porém vem preparado para ficar. “Muitas vezes o número 1 acaba se tornando o número 2, que por sua vez passa a ser o número 3″.
Percepção é a Chave
A fim de vencer estes desafios, é importante enxergar como o imigrante se percebe, como vítima da situação ou como dono da situação. “Tenho que saber que a minha decisão, seja qual for, é uma boa causa, mas não um sacrifício”. De acordo com a psicóloga, a percepção do sofrimento leva à depressão. “Assim como a pessoa se condicionou à cultura do sofrimento, ela também pode aprender a fazer da jornada aqui um aprendizado saudável”.
Rejane Guerreiro é especializada em Psicologia Corporal Reichiana, Emotologia e Hipnoterapia Clínica. Tem quase duas décadas de experiência como palestrante internacional e é voluntária ativa do Projeto Mantena Ajuda em Newark, New Jersey.
Para ilustrar bem esta percepção, Rejane usou um exemplo pessoal. Com pouco tempo de América, a casa onde morava pegou fogo, e tudo o que ela salvou foi o passaporte. Contou também que as cerca de 20 horas de trabalho, preparando festas, conciliando com os estudos, não a desanimaram. “Tudo é uma questão de percepção, não importa as circunstâncias. Quem dá a percepção de bom ou ruim é a nossa consciência”.
De acordo com a psicóloga, não é o excesso de trabalho que leva à depressão, e sim como a pessoa está percebendo e digerindo dentro dela esta percepção. “É preciso fazer as tarefas do dia a dia com gratidão, a fim de alcançar as metas finais. Temos que ter claro o caminho para chegar lá”.
A psicóloga Rejane Guerreiro pode ser contatada através do e-mail rejaneguerreiro@rejaneguerreiro.com.
Reproduzido com permissão do Comunidade News. Leia outros artigos do Comunidade News.
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